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Quarta, 6 de janeiro de 2010 - 11h09min

3ºCurso de saúde da mulher indígena

ISAEC/DAI/DENI
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Nos dias 4 a 7 de dezembro realizou-se um curso de saúde da mulher indígena na aldeia Deni Itaúba, rio Xeruã. Estiveram presentes no curso parteiras experientes e mulheres jovens, aspirantes ao ofício do trabalho de parteira. Participaram 47 pessoas do curso de todas as aldeias Deni e Kanamari do rio Xeruã, município de Itamarati. Além das mulheres participaram deste curso os 8 agentes indígenas de saúde e algumas lideranças Deni e Kanamari do rio Xeruã.

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 A enfermeira Sandra Araújo Moreira da FUNASA assessorou as parteiras e os agentes indígenas de saúde durante os três primeiros dias. Os assessores no último dia do curso foram os professores Nelson José Batista Lacerda, licenciado em Química Ambiental pela UFAM e estudioso da fitoterapia e Francisco dos Santos Amaral da equipe do CIMI-Tefé. O COMIN de Carauari financiou o curso com o apoio da coleta nacional da IECLB.

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O primeiro dia foi dedicado a uma reavaliação do 1º curso de saúde da mulher indígena realizado em 2008. Muitas ervas medicinais registrada no curso anterior foram lembradas e constatou-se o uso destas ervas no trabalho das parteiras. Foi salientada a importância da parteira e sua responsabilidade em ajudar a trazer as crianças indígenas a esse mundo. As parteiras deram seus depoimentos a respeito da importância e registraram: Elas estão presentes na gravidez, no parto e depois do parto, salvam crianças, elas sabem ajeitar a posição da criança para o parto, elas são respeitadas e passam a sua experiência para jovens mulheres que querem ser futuramente parteiras.

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As parteiras Deni e Kanamari mostraram passo a passo como realizar um parto e tiraram as dúvidas com a enfermeira Sandra. Discutiu-se como proceder em casos de partos difíceis e casos onde os recém-nascidos não choram ao nascer. Duas parteiras Deni e Kanamari ajudaram a encenar uma peça de teatro com os procedimentos de um parto e os cuidados imediatos ao nascimento do recém-nascido e pós-nascimento. As parteiras Deni e Kanamari sabem de muitas plantas medicinais que servem para as complicações do parto. A troca de conhecimento entre as duas etnias a respeito das plantas medicinais perpetuou o curso todo.

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O segundo dia foi dedicado ao tema de puerpério, período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação, e pós-puerpério. As mulheres Kanamari e Deni relataram como as mulheres gestantes e com crianças recém-nascidas e os maridos destas mulheres tem regras e dietas especiais de resguardo conforme a respectiva cultura. A importância da higiene corporal e íntima diária para a saúde da mulher foi salientada. Outros temas foram autoavaliação como o câncer de mama, gestações próximas das outras, importância da amamentação para a saúde da mulher e a fertilidade.

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Seis grupos apresentaram em forma de desenhos, teatros e por escrito todos os assuntos do dia com sucesso. O terceiro dia foi dedicado às doenças sexualmente transmitidas (Gonorreia, Candidíase, Herpes, Sífilis, AIDS e outras) e o uso correto do preservativo. Cada grupo tinha a tarefa de apresentar uma doenças sexualmente transmitida e comentar a respeito dela. Um voluntário mostrou como usar o preservativo e sua importância para evitar DST/AIDS. No quarto dia foram registradas plantas medicinais conhecidas por um povo e desconhecidas pelo outro. Foram buscadas as plantas na floresta e explicado seu uso. Uma planta para mordida de cobra foi apresentada pelos Kanamari que os Deni não conheciam ainda, mas cresce perto das suas aldeias.

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No final do dia foi feita uma horta de plantas medicinais na aldeia Itaúba com plantas da floresta e com ervas medicinais domésticas já conhecidas. Todas as parteiras querem implantar hortas com ervas medicinais nas suas aldeias. Todas as parteiras gostaram do curso e da dedicação da enfermeira da FUNASA e querem mais curso e pedem que seja fornecido material para um trabalho melhor.

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As mulheres gostaram do curso, também, pelo fato de ter um espaço feminino próprio. Apreciaram esses cursos por ter um espaço próprio a enfermeira Sandra resumiu o seu relato sobre o curso: " Enfim, o objetivo do curso foi alcançado, conseguimos falar sobre todos os temas escolhidos e em tempo hábil. Nos três dias de curso no qual eu fui assessora as/os participantes foram avaliadas/os para saber se as/os mesmas/os conseguiram aprender os assuntos explicados e o resultado foi muito bom."

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O COMIN de Carauari agradece a enfermeira Sandra Araújo Moreira por ter aceitado o convite de asses sorar o curso substituindo uma irmã da Pastoral da Criança que não foi liberada pelo Secretário de Saúde de Carauari na última hora. O COMIN agradece a disponibilidade do CIMI de Tefé na assessoria e na preparação do curso. Enfim queremos agradecer a todas as comunidades e pessoas da IECLB que possibilitaram com sua coleta para o trabalho com os povos indígenas a realização de um evento de suma importância para a saúde da mulher indígena.

Walter Sass, Carauari-AM
Dezembro de 2009

Fonte: ISAEC/DAI/DENI


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